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☆ 100 anos da Grande Enchente de Paris ☆

21/01/2010

Há apenas cem anos, grande parte da cidade ficou debaixo d’àgua por mais de uma semana, no final de janeiro, inicio de fevereiro..

Uma exposição na Biblioteca Historica da Cidade de Paris recorda o evento que na época foi amplamente divulgado..  A magnitude do desastre, mas também fotografias, postais, jornais de circulação geral ilustrado com fotografias e cinejornais, ajudou a escrever a enchente de 1910 em memória coletiva.. Mais de duas centenas de trabalhos, a maioria inéditas, são apresentados ao pùblico até 28 de Março..

O início do que foi uma semana com “terriveis condições de mau tempo” veio logo apos um verão especialmente chuvoso (1909), e deu lugar à um inverno marcado por fortes chuvas e nevascas pesadas que saturaram a terra e elevaram o nivel do Sena.. Não tenho como desdrever a magnitude do que foi.. se eu não tisesse visto as fotos, e alguns videos (todos os canais jà começaram a apresentar especiais sobre os 100 anos) talvez não acreditasse.. As fortes chuvas começaram no dia  18 de janeiro  provocando inundações do rio e seus afluentes, abrangendo a àrea de Paris, onde o nível do rio Sena subiu 8,50m (28 de janeiro)..

A enchente de 1910 é a segunda maior depois de 1658, que atingiu 8,81 m..

“Mas pela primeira vez, temos sido capazes de manter a memoria graças aos impressionantes avanços tecnologicos em fotografia e filme.. A água tomou conta da moderna rede de esgotos e tùneis dos metrôs em construção, em particular, a linha norte-sul, e seguiu um braço antigo abaixo do Sena, que remonta a Gare Saint – Lázare, um verdadeiro lago que se formou nesta estação, mas mesmo assim longe do Sena.. Quanto às estações ao longo da Orsay e Invalides, elas estavam completamente inundadas.. A água subiu muito alto na Gare d’Orsay, a tal ponto que uma locomotiva e seus carros ficaram completamente submersas..” disse Emmanuelle Toulet, chefe da Biblioteca Histórica da Cidade de Paris e organizadora da exposição..

Gare de Invalides

A “Cidade Luz” não só foi inundada, mas mergulhou nas trevas e paralisou.. Electricidade, àgua, coleta de lixo, tudo foi atingido.. Transportes foi interrompido, e Paris  era considerada  a cidades melhor estruturada do mundo nesta àrea, com cinco linhas de metro e quatro em construção; e uma rede ferroviària ligando a provincia inteira..

Os transportes fluviais, enquanto ativos, também estavam interrompidos.. Barcaças e barcos ficaram presos entre as duas pontes por mais de um mês.. Enquanto  isso a propagação da àgua ao longo de doze “arrondissement”, fazia Paris parecer Veneza.. As fotos falam por si: calçada esburacada, o solo, literalmente, desabou como o Boulevard Haussmann e Rue Saint Honoré, o Boulevard Saint-Germain se tornou um canal, a Gare de Lyon e o Boulevard Diderot completamente cobertos pela àgua..

“A Paris jamais vista” foi fotografada extensivamente tanto por amadores – alguns àlbuns podem ser vistos na exposição, são profissionais de todo o mundo..  na sua grande maioria são fotografos americanos e britânicos..

No total, mais de cem fotografias são expostas, mas o interessante mesmo são os mais de 5.000 cartões postais.. A grande maioria dos “documentos” pertence à Biblioteca Histórica da Cidade de Paris e foram recuperados de agências de noticias da época..

Hà também videos – um Inglês e um francês – apresentados na fase final da exposição e dão vida às cenas estàticas a partir das fotografias: parisienses caminhando sobre as calçadas ou esperando o barco para atravessar a rua, barcos oficial da Marinha Berton..

Os pintores também foram às ruas com seus cavaletes e nos deixaram belissimas pinturas da inundação: um barco encalhado Boulevard Haussmann, ou o belo design das ruas inundadas de Lyon com a fila para embarcar em um barco..

O barco virou o transporte comum, e algumas fotos mostram jangadas bastante incomum, feito de tàbuas e grades..

Mas as cheias também têm destaque na idéia de que o Estado deve apoiar os cidadãos e esta foi a primeira vez que o dever de assistência foi posto em prática pelo governo..

Assim, Jean-Jaurès escreveu 28 de janeiro no L’Humanité:

“Uma sociedade onde os cidadãos são os elementos, portanto, a critério é como uma casa sem telhado”.

O declínio das àguas começa à partir de 28 de janeiro, mas a mobilização continua, pois ainda é necessário evacuar a àgua que é bombeada e rejeitada no Sena e, especialmente, sobre as medidas sanitárias tomadas para evitar o risco de contaminação.. A memoria da ùltima epidemia de colera em 1886 ainda estava viva .. Foram destribuidos desinfetantes e anúncios  de marcas de produtos para limpar a àgua porque o sistema de àgua potàvel estava contaminada..

Muitas fotografias mostram os parisienses no processo de lavagem das paredes para se livrar da lama.. Por vàrios meses, os restos de cerca de 80.000 caves inundadas ou lojas lotavam as ruas de Paris.. As estradas foram danificadas consideravelmente, todas as ruas afetadas foram totalmente refeitas.. Monumentos e edifícios que sofreram: a Capela Santa Escola de Belas Artes, o Instituto de França.. E o mais incrivel, na enchente teve apenas uma morte – um jovem que tinha feito um barco e  se afogou, foi varrido pelas àguas – teve cerca de 200.000 desabrigados.. Em Paris e arredores, essencialmente, uma bacia na confluência de três rios, a inundação causou um número estimado de € 1,6 bilhão em prejuízos, em euros hoje.

Mapa com as àreas atingidas

A exposição evoca rapidamente o que foi feito para evitar novas inundações graves, incluindo reservatorios no rio Sena e seus afluentes, a montante de Paris.. Sabem-se hoje que, no caso de uma inundação semelhante ao de 1910, o nivel de àgua é inferior à 70 cm.. Mas também sabemos que Paris é vulneràvel a uma grande enchente.. tanto que como essa é uma época de risco, todos os cuidados estão sendo tomados, incluindo as Mairies de Paris dando cursos preventivos à tragédia.. Falam tanto à respeito na televisão, que as pessoas estão fazendo um drama 20x maior que a gripe..

Símbolo da marca de onde a àgua chegou continuam sendo lembrados até hoje, “1910” é pintada à mão, gravada ou cravada em fachadas e  nas pedras ao longo das margens do Rio Sena..

Bibliothèque historique de la Ville de Paris

24 rue Pavée
(4e ) –  Tél. : 01 44 59 29 40
Fax: 01 42 74 03 16

Quanto à situação atual, o Pavillon de l’Eau (o mesmo da expo do Bob Esponja) està fazendo uma exposição mais técnica e cientifica dos dispositivos de prevenção.. A dimensão estética “do dilúvio como uma fonte de inspiração” também é mencionada, inclusive as fotomontagens de Herve Bernard imaginando Paris contemporânea tomadas pela àgua.. que me desculpem, mas é genial.. pelas poucas que vi.. Começou ontem, 20 de janeiro e vai até 17 de abril..

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.A enchente de 1910 também é noticia no Louvre des Antiquaires, com exibições de jornais da época, através de uma das primeiras “edições especiais” que combina a reprodução de fotos e textos.. A exposição vai até 7 de março..

Modernos dias parisienses, contemplando as fotografias antes de passar em ruas idênticas, como iriamos reagir??  Hà o sentimento irritante em ver aquelas mulheres “transportando” todos aqueles vestidos, e os homens, invariavelmente, chapéu e bigode, eram muito mais duros do que nos.. Conveniências modernas ainda eram novidade e os parisienses da época haviam vivido sem elas a maioria de suas vidas..

Telefones ainda eram escassos.. A eletricidade foi um novo luxo que apenas alguns “assinantes” desfrutavam.. Domicilios tinham estoques de carvão para aquecimento.. Como eles seriam hoje?? as redes de transporte público, os metros, inundados.. Mas em 1910, ainda havia 75.000 cavalos em Paris.. Eles foram postos em serviço, arduamente.. Contudo, mesmo assim, como o reporter do Le Figaro Georges Cain observa em um testemunho ocular em exposição na Galerie des Bibliothèques:

“Aqui estamos nos, voltou no tempo de 20 anos.. Sem electricidade, sem elevadores, sem telefones e parece insuportàvel para nos..  Imagine voltar no tempo 120 anos.. Aqui, 1910 não é àgua debaixo da ponte, é um barometro para o futuro.”

Para mais Fotos:

Paris Inonde

Paris sous les eaux Um otimo comparativo de 1910 – 2006

3 Comentários leave one →
  1. 21/01/2010 22:10

    Lindo post! A julgar pelas fotos impressionantes publicadas aqui, as mostras devem ser espetaculares, inquietantes.

  2. ☆☆ Martinha ☆☆ permalink
    21/01/2010 22:17

    Sim Mari..
    A exposição é belissima..
    Meio “Surreal”..
    Quero ver se dou um pulinho nas outras duas também..
    Obrigada pela visita..
    Bisous
    =)

  3. Taís Sanchez permalink
    26/05/2013 18:20

    Oi, adorei o post! Muito informativo!
    Só gostaria de saber de quem são as citações que você usa no seu blog. Tem como me passar?

    Beijos

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